Uncategorized 9 min de leitura Atualizado em 16/05/2026

Azara Capital compra Naskar e assume dívida de R$ 1 bi

Azara Capital comprou Naskar e assume dívida de R$ 1 bi com 3 mil investidores. Fintech investigada por calote. Veja cronograma de ressarcimento.

Azara Capital compra Naskar e assume dívida de R$ 1 bi

Resumo em 30 segundos

  • Como a Naskar sumiu: da promessa de 2% ao mês ao colapso
  • Promessa de 2% fixo ao mês atraiu milhares de investidores
  • Maio de 2025: pagamentos param, app sai do ar, sócios desaparecem

A gestora norte-americana Azara Capital anunciou nesta quinta-feira (14) a compra da Naskar, 7Trust e Next por R$ 1,2 bilhão. A operação assume integralmente a dívida com cerca de 3 mil investidores que ficaram sem acesso aos valores aplicados na fintech. A Azara promete iniciar tratativas de liquidação a partir da próxima semana, mas não detalhou cronograma de ressarcimento.

A Azara compra dias após a Naskar parar os pagamentos mensais, tirar o app do ar e os três sócios cortarem comunicação com clientes. Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato desapareceram enquanto boletins de ocorrência se acumulavam. A Polícia Civil do Distrito Federal abriu investigação formal sob suspeita de estelionato ou pirâmide financeira.

Os prejuízos confirmados variam: R$ 335 milhões em registros policiais no DF e quase R$ 1 bilhão em denúncias de clientes espalhadas pelo país. A Naskar operava sem registro no Banco Central ou na CVM e prometia rendimento fixo de 2% ao mês. Um taxista de Brasília vendeu apartamento da família e investiu R$ 760 mil na plataforma. «Não consigo mais acessar o aplicativo», disse Luciano Oliveira.

Como a Naskar sumiu: da promessa de 2% ao mês ao colapso

A Naskar prometia rendimento fixo de 2% ao mês24% ao ano. Para quem investia R$ 1 milhão, a promessa era de R$ 20 mil mensais de retorno. A estrutura de marketing enfatizava segurança e rentabilidade garantida. No site, a fintech se vendia como “empresa sólida e de confiança” que quer “transformar o sistema financeiro”.

Promessa de 2% fixo ao mês atraiu milhares de investidores

O modelo funcionou por anos. Clientes relatam que recebiam os 2% mensais sem atrasos até abril de 2025. Um taxista de Brasília, Luciano Oliveira, vendia um apartamento da família e aplicava R$ 760 mil na plataforma — recebia R$ 15 mil por mês e a estratégia “vinha dando certo”. A indicação boca a boca atraiu cerca de 3 mil clientes.

Mas sinais de alerta já apareciam. A Naskar deixou a sede registrada na Avenida Doutor Cardoso de Melo, 1308, em São Paulo, no fim de 2024 — meses antes do colapso. O endereço continuou ativo no CNPJ junto à Receita Federal.

Maio de 2025: pagamentos param, app sai do ar, sócios desaparecem

A partir do início de maio de 2025, clientes relatam que a empresa deixou de realizar os pagamentos mensais sem aviso prévio. O aplicativo saiu do ar. Canais de atendimento — email, telefone, redes sociais — pararam de responder.

Os três sócios — Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato — cortaram qualquer comunicação e desapareceram. Em 1º de maio de 2025, as três filiais da Naskar em Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro tiveram CNPJs baixados simultaneamente na Receita Federal. Clientes dizem não ter recebido comunicado sobre o encerramento.

Denúncias se espalham; perdas individuais chegam a R$ 3,9 milhões

As denúncias se espalharam por redes sociais e grupos de investidores. Casos documentados incluem perdas de R$ 3,9 milhões (empresário do DF), R$ 2,3 milhões (bancário) e R$ 1 milhão (aposentado). Um empresário parceiro da Naskar registrou boletim de ocorrência relatando que cerca de 135 clientes fizeram aportes que somam aproximadamente R$ 47 milhões.

Nos últimos sete dias, a Polícia Civil do DF registrou cerca de 30 ocorrências relacionadas à fintech — o dobro das 15 denúncias contabilizadas no início da semana. A primeira ocorrência foi registrada em 7 de maio. Boletins revelam padrão de omissão de informações e dificuldade de acesso a valores investidos.

Quem é a Azara Capital e por que comprou uma fintech investigada

Imagem gerada por IA - ChatGPT/OpenAI
Como a Naskar sumiu: da promessa de 2% ao mês ao colapso

Azara Capital não aparecia em noticiários brasileiros antes de 14 de maio.

A compra inclui três fintechs de uma vez: Naskar, 7Trust e Next. O pacote sai por R$ 1,2 bilhão. O valor chama atenção por um motivo específico: só o passivo da Naskar com investidores já é estimado em até R$ 1 bilhão. Isso indica que a Azara pagou preço residual — bem abaixo do que a empresa deveria ter em ativos reais.

Gestora assume auditoria e promete tratativas

A nota conjunta divulgada nesta quinta-feira (14) fala em “assumir integralmente a condução do processo relacionado à base de investidores”. Na prática, a Azara passa a responder pela auditoria individual dos casos, pelas tratativas em andamento e pela gestão dos compromissos financeiros.

A gestora promete iniciar tratativas de liquidação “a partir da próxima semana”. O termo “liquidação” não significa pagamento imediato — refere-se ao processo de negociação com os cerca de 3 mil investidores que ficaram sem acesso aos valores.

Por que comprar dívida tóxica

Gestoras de resgate lucram com um modelo específico: compram ativos por valor muito abaixo do passivo, reestrutura a operação, recupera o que ainda existe de patrimônio e negocia com credores. Teoricamente, a diferença entre custo de aquisição e recuperação de ativos seria margem — mas neste caso específico, o modelo é incerto.

No caso da Naskar, a Azara comprou três empresas sabendo que só uma delas tem passivo estimado em até R$ 1 bilhão. A conta só fecha se houver ativos não declarados, se parte dos investidores aceitar desconto em negociação ou se a gestora lucrar com a reestruturação operacional das outras duas empresas do pacote.

O que muda para os 3 mil investidores lesados: cronograma e próximos passos

A Azara Capital prometeu realizar análise da base de 3 mil investidores lesados. A gestora vai analisar cada caso individualmente. Mas não divulgou cronograma detalhado de ressarcimento nem percentual de recuperação esperado.

As tratativas de liquidação começam “a partir da próxima semana”. Isso significa após 14 de maio. Investidores devem aguardar contato direto da Azara para fornecer documentação — o processo de auditoria é pré-requisito para qualquer negociação.

Auditoria individual: como funciona e o que esperar

A Azara vai conduzir o processo de circularização em curso. Na prática, a gestora vai consolidar informações operacionais e revisar tecnicamente os processos existentes antes de negociar. Cada investidor passará por análise separada.

Nenhum prazo foi estabelecido para as análises individuais.

Investigação policial e possibilidades legais para recuperação

A Polícia Civil do Distrito Federal mantém investigação aberta contra os sócios da Naskar. A corporação registrou cerca de 30 ocorrências em sete dias — o dobro das 15 denúncias contabilizadas no início da semana. As suspeitas incluem apropriação indébita e omissão de informações.

Investidores podem registrar boletim de ocorrência adicional em suas respectivas cidades. Wesley, empresário que representa 135 clientes com R$ 47 milhões investidos, entrou com medida cautelar na Justiça após orientação jurídica. “O medo é que essas pessoas estejam fugindo com o nosso dinheiro”, disse ele.

Ação civil coletiva contra Naskar e sócios é outra possibilidade para recuperação de valores.

Cronograma de ressarcimento: o que ainda falta definir

A transação de R$ 1,2 bilhão inclui as três empresas — Naskar, 7Trust e Next — e assume dívida de cerca de R$ 1 bilhão com investidores. Ressarcimento total é improvável. A expectativa realista é de ressarcimento parcial.

O taxista Luciano Oliveira, 53 anos, investiu R$ 760 mil da venda de um apartamento na Naskar. Recebia R$ 15 mil mensais. “Estou ferrado, angustiado, nervoso, desesperado”, afirmou. Casos como o dele dependem agora da análise individual da Azara.

A gestora prometeu transparência e governança na nova fase. Mas os aproximadamente 3 mil investidores aguardam definição sobre valores que não conseguem resgatar desde o início de maio.

Investigação policial e responsabilidade dos sócios

A Polícia Civil do Distrito Federal abriu investigação formal após clientes registrarem boletins de ocorrência. Em sete dias, foram computadas cerca de 30 denúncias. O número dobrou em relação aos registros da segunda-feira anterior.

As denúncias apontam para apropriação indébita de recursos, omissão de informações sobre a situação financeira da empresa e falta de transparência operacional. Clientes relatam que representantes da Naskar deixaram de responder mensagens, ligações e notificações formais, sem apresentar esclarecimentos sobre os valores investidos.

Os possíveis crimes envolvidos incluem estelionato — a promessa de retornos fictícios de 2% ao mês — apropriação indébita e fraude financeira. Um empresário denunciou que sua empresa indicou 135 clientes para produtos da Naskar, totalizando aproximadamente R$ 47 milhões em aportes. Quando os pagamentos previstos deixaram de ser feitos, o aplicativo saiu do ar.

Os sócios Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato desapareceram após o colapso. Não há informações públicas sobre seu paradeiro ou possível fuga. A investigação policial pode levar a indiciamento e ação penal. Caso condenados, os sócios podem ter bens bloqueados para ressarcimento via fundo de reparação.

A Azara Capital pode colaborar com a investigação fornecendo documentação operacional e financeira da Naskar. Essa colaboração facilitaria a identificação de desvios de recursos e forneceria evidências para a ação penal. Investidores aguardam que o processo avance em paralelo à auditoria da nova gestora.

Impacto no mercado de fintechs e lições para investidores

Por trás do colapso está um sinal que deveria ter alertado qualquer investidor: 2% fixo ao mês. A promessa equivalia a 24% ao ano, rendimento anormalmente alto para renda fixa. Nenhum ativo de renda fixa sustenta esse patamar sem risco desproporcional. A matemática não fecha — e nunca fechou.

A Naskar operava numa zona cinzenta regulatória. Fintechs de gestão de ativos ficam numa zona cinzenta: não são bancos tradicionais, não emitem títulos diretamente, mas captam recursos de terceiros. A supervisão é limitada. O caso expõe a lacuna.

Sinais de alerta: rendimentos acima do mercado e falta de transparência

Investidores relatam perdas de R$ 3,9 milhões, R$ 2,3 milhões, R$ 1 milhão. Valores altos, mas o padrão se repete: todos confiaram na promessa de R$ 20 mil mensais para cada R$ 1 milhão aplicado. A rentabilidade era o único argumento de venda. Não havia auditoria externa divulgada. Não havia transparência sobre onde o dinheiro ia. A comunicação era unilateral — até sumir de vez.

A empresa fechou três filiais simultaneamente em 1º de maio de 2025 sem avisar clientes. O app saiu do ar. Os sócios cortaram contato. Clássico.

Regulação de fintechs no Brasil e lacunas de supervisão

O Banco Central fiscaliza instituições de pagamento. A CVM supervisiona fundos e ofertas públicas. Fintechs que prometem renda fixa sem emitir título nem operar como fundo ficam no limbo regulatório. A Naskar operava como intermediária — ou dizia operar.

A Polícia Civil do DF registrou 30 ocorrências em sete dias, o dobro da semana anterior. Investiga estelionato e pirâmide financeira. A Justiça entra depois do prejuízo consumado. Regulação preventiva falhou.

Impacto na confiança do mercado e possíveis mudanças regulatórias

O episódio expõe falhas que exigem endurecimento de regras pelo Banco Central e CVM. Fintechs que prometem rendimento fixo acima da taxa básica deveriam ser obrigadas a divulgar auditoria externa trimestral e detalhar aplicação dos recursos. Modelo atual permite operação opaca até o colapso.

Investidores devem priorizar plataformas reguladas. Se a fintech não tem registro no BC ou CVM, não é instituição financeira — é promessa sem lastro. Se o rendimento é significativamente acima da taxa básica de juros, desconfie. Se não há auditoria pública, saia.

Redacao - Zigg / Redator(a)

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